Tesera Circular

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24/10/2022

O PRÍNCIPIO DA TRANSPARÊNCIA NA COMPRA PÚBLICA

Em 2008 quando se publicou o então novo código da contratação pública introduziu-se entre outras obrigações, o dever de as entidades adjudicantes darem a conhecer os contratos celebrados com os dinheiros públicos.

O principal objetivo seria - está claro - centralizar a informação mais importante relativa a todos os procedimentos pré-contratuais, os quais, de acordo com o CCP, seriam obrigatoriamente desmaterializados.

O portal em si configura um espaço virtual onde deveriam ser publicitados os elementos referentes à formação e execução dos contratos públicos, permitindo assim o seu acompanhamento e monitorização.

Contudo, a prática diária da contratação vaticinou o Base a cair em desuso posto que presentemente, aos procedimentos de contratação a publicidade é dada através das plataformas, de email ou fax e para os casos dos concurso públicos através do Diário da República.

Assim sendo, e atenta a reforma da contratação pública que se avizinha por via da transposição eminente da Diretiva 2014/24/UE do Parlamento Europeu e do Conselho bem como, ao carácter aparentemente obsoleto do Portal Base, perguntamo-nos se este Portal mantém a utilidade e se se irá manter quando da Reforma da contratação?

PORTAL BASE – REVIVE O MODELO?

A publicitação no Portal Base tem como princípio, já dissemos, o acompanhamento e monitorização dos elementos referentes à formação e execução dos contratos públicos.

Com efeito a obrigatoriedade de publicitação no Portal Base, decorre do disposto no artigo 465.º do Código dos Contratos Públicos (CCP), na sua versão alterada pelo Decreto-Lei n.º 144/2012, de 12 de julho, que determina a obrigatoriedade de publicitação de todos os procedimentos pré-contratuais públicos.

No caso dos ajustes diretos para contratos de qualquer valor (artigo 127.º do Código dos Contratos Públicos), é necessário proceder ao preenchimento de uma ficha com a informação relevante acerca desse contrato, no Portal, da qual depende a eficácia do respetivo contrato, sendo dispensada, nos termos do n.º 3 do artigo 128.º, nos casos de regime simplificado.

Por fim, ressalva-se que a publicitação dos contratos constitui uma “condição de eficácia dos mesmos, nomeadamente para efeitos de quaisquer pagamentos”, o artigo 127.º do CCP.

O Recente projeto de lei que vem transpor a Diretiva 24/2014/UE reforçou a obrigação de publicação no portal dando nota clara de que a transparÊncia na contratação “veio para ficar”.

CONCLUSÕES

Chegados a este ponto e pese embora a dificuldade que o Base teve em consolidar a sua posição como portal de publicidade da contratação, entendemos que o conceito em si, não está de nenhuma forma esvaziado de utilidade.

Com efeito, dispor de um portal único onde a informação sobre os procedimentos em decurso - independentemente de os mesmos depois se tramitarem por plataforma ou email – é de uma grande mais valia para a transparência e vigilância do mercado não só por parte das autoridades competentes mas também por parte dos fornecedores do Estado. Assim sendo a criação de uma obrigação efectiva de publicidade poderá - e deveria - ser o caminho a seguir pelo legislador no que respeita à reforma da contratação pública.

    03/10/2022

    A DGS E INFARMED LANÇAM CAMPANHA PARA USO RESPONSÁVEL DE MEDICAMENTOS

    A Direção-Geral da Saúde e o Infarmed lançaram uma campanha de sensibilização para prevenir danos relacionados com a medicação, que em casos extremos podem conduzir à morte, no âmbito do Dia Mundial da Segurança do Doente, assinalado no dia 17 de setembro.

    Promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Dia Mundial da Segurança do Doente tem este ano como lema a “Segurança na utilização da medicação” e visa sensibilizar os profissionais de saúde e cidadãos para a importância desta temática, com destaque para a prevenção dos erros relacionados com a medicação e redução de incidentes neste âmbito.

    A DGS e o Infarmed associaram-se a esta iniciativa com a realização de uma campanha, dando assim cumprimento ao preconizado no Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2021-2026.

    A iniciativa da OMS promove este ano o lema “Medicação sem danos” e tem quatro objetivos, entre os quais aumentar a consciencialização sobre o elevado número de danos relacionados com os medicamentos devido a erros de medicação e práticas inseguras.

    Para sensibilizar os profissionais de saúde e cidadãos para a importância desta temática, a DGS e o Infarmed lançaram uma campanha com documentos informativos disponíveis nos seus sites e redes sociais, que também foram disponibilizados em todas as unidades de saúde do SNS, com destaque para a prevenção dos erros relacionados com a medicação e redução de incidentes neste âmbito.

      19/09/2022

      SÓ NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2022 FORAM APROVADOS 42 MEDICAMENTOS INOVADORES

      O Infarmed aprovou 42 medicamentos inovadores em apenas seis meses, quase tantos como no ano de 2021.

      Segundo dados oficiais enviados ao Público, no mesmo período foram aprovados 109 medicamentos genéricos e biossimilares, com os hospitais, de janeiro a maio deste ano, a apresentar uma despesa que ascendeu a 719,3 milhões de euros. Os “medicamentos requerem financiamento para poderem ser utilizados no SNS (de forma gratuita nos hospitais públicos e noutras entidades tuteladas pelo Ministério da Saúde) e comparticipados em função de escalões de comparticipação pré-definidos para o ambulatório”, diz o Infarmed, em resposta ao jornal.

      As condições de financiamento “assentam em vários elementos, desde a análise do rácio de custo-efectividade incremental até à definição de condições assentes em volumes de utilização e partilha de risco com base em resultados”. “No primeiro semestre de 2022, 49 medicamentos inovadores tiveram decisão de financiamento, 42 dos quais positiva.” Nos últimos cinco anos, 2019 foi o que registou o maior número de aprovações: 74.

      Também nos últimos anos, adianta o Infarmed, oncologia, sistema cardiovascular, sistema nervoso central, endocrinologia e anti-infecciosos são as áreas “onde se tem verificado autorização de financiamento de mais medicamentos”. Foram ainda aprovados novos medicamentos para a esclerose múltipla, cancro da mama, cancro do pulmão, insuficiência cardíaca e fibrose quística.

      A autoridade do medicamento explica que os pedidos relativos a medicamentos inovadores “são os que apresentam maior complexidade na sua avaliação” e, por isso, demoram mais tempo. A “média de avaliação da responsabilidade do Infarmed relativa aos medicamentos inovadores aprovados no primeiro semestre de 2022” foi de 343 dias. O Infarmed “desenvolve negociações rigorosas com base nas propostas que recebe e nas análises que efectua, nomeadamente na quantificação do valor terapêutico acrescentado, se existir, no nível de evidência apresentado e no contexto da utilização proposta para cada medicamento”.

      Nos primeiros cinco meses deste ano, os encargos do SNS na área hospitalar foram de 719,3 milhões de euros, mais 12,1% em comparação com o período homólogo, um acréscimo de 77,8 milhões. Trata-se de medicamentos “com valor acrescentado, mas com preços elevados”, tendo sido consumidas “mais de 2.2 milhões de unidades”. “De salientar que os valores da despesa com medicamentos não incluem ainda o impacto de eventuais devoluções de custos por parte das empresas nos casos em que o financiamento dos medicamentos esteja sujeito a condições relativas a preço/volume”, acrescenta a autoridade do medicamento.

      “Relativamente à autorização de financiamento de medicamentos genéricos e biossimilares, até ao final 1.º semestre de 2022 foram aprovados 109 medicamentos, num tempo médio de avaliação de 19 dias”, diz o Infarmed ao Público, uma média que se tem “mantido nos últimos anos”. Estes fármacos permitem ao Estado poupar custos que podem ser redirecionados para outras prioridades.

      *In Netfarma

        12/09/2022

        DESPESA EM SAÚDE TEM AUMENTADO SIGNIFICATIVAMENTE

        A tendência da despesa em saúde tem aumentado, mas no último ano a subida foi ainda clara, sobretudo depois de as famílias portuguesas terem experimentado uma redução em 2020.

        As despesas de saúde aumentaram significativamente de 2020 para 2021 até um total de 23,7 mil milhões de euros. A parcela que mais subiu foi a que é paga diretamente pelos utentes e famílias portuguesas: aumentou 14,7% para quase 6,8 mil milhões de euros. Aquela suportada pelo Estado subiu 11% para 15,6 mil milhões de euros.

        Embora o aumento tenha sido maior no último ano, confirma a tendência de subida que se verificava desde 2014. Em 2021, foi justificado pelo “aumento dos gastos associados ao combate à pandemia” e pela “retoma da assistência nas áreas não covid-19”, de acordo com os dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística, citados pelo Público.

        As despesas pagas pelos utentes correspondem àquilo que não é comparticipado pelo Estado e inclui medicamentos, análises e exames, consultas e cirurgias no setor privado, ente outros. Em 2020, as famílias gastaram cerca de 5,9 mil milhões de euros (menos 906 milhões de euros do que em 2021), porque grande parte dos gastos associados à pandemia de Covid-19 foram suportados pelas entidades públicas e houve uma diminuição da procura dos serviços privados.

        A falta de cobertura do Serviço Nacional de Saúde em algumas áreas de especialidade, a necessidade de ter uma reposta mais rápida dos serviços de saúde e a diminuição da comparticipação do Estado em alguns medicamentos justificam o aumento das despesas, o que coloca Portugal entre os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) onde as famílias têm mais gastos diretos.

        *In Observador

          05/09/2022

          FARMACÊUTICA PROCURA INVESTIR NA PROTEÇÃO DO PLANETA A FIM DE CUIDAR E PROMOVER A SAÚDE HUMANA

          Com as alterações climáticas “a contribuir para o aumento da mortalidade e a agravar diversas doenças”, a GSK quer investir na “proteção do planeta para proteger a saúde das pessoas”.

          Em comunicado, a farmacêutica informa que definiu uma estratégia de “ESG (Environment, Social, Governance), alinhada com os principais desafios ambientas, sociais e de governação, para conseguir impactar positivamente a saúde de 2.5 mil milhões de pessoas nos próximos dez anos”.

          “Há cada vez mais evidência científica a comprovar o impacto das alterações climáticas na saúde das pessoas. É urgente fazer com que todos percebam que manter o planeta saudável é fundamental, para que as pessoas também o sejam. Na GSK, acreditamos que as soluções para combater os problemas ambientais são também motores da saúde humana e, por isso, estamos empenhados em mostrar o que é possível fazer para proteger o nosso planeta e, consequentemente, cuidar e promover a saúde humana”, explica Guilherme Monteiro Ferreira, diretor de acesso ao mercado e assuntos externos da GSK Portugal.

          De acordo com um estudo publicado no início de agosto, na revista Nature Climate Change, “mais de metade das centenas de doenças infeciosas, como a malária e a meningite, sofreram um agravamento devido a alterações climáticas extremas”. A investigação concluiu, ainda, que o aquecimento global, chuvas torrenciais, inundações e a seca, impactaram a infeção por parte de animais portadores de doenças.

          Por seu lado, a OMS “equipara o problema da poluição atmosférica a outros riscos para a saúde global, como uma dieta pouco saudável e o tabagismo. Estudos recentes apontam que a exposição à poluição ambiental esteja a causar sete milhões de mortes prematuras por ano e a resultar na perda de muitos mais milhões de anos de vida. Por outro lado, a Agência Europeia do Meio Ambiente, estima que a poluição esteja associada a mais de 10% dos casos de cancro na Europa”, continua a GSK.

          Assim, a farmacêutica a anuncia que vai investir em seis grandes áreas estratégicas: Poluição atmosférica (reduzir “emissões de gases de efeito de estufa, o desperdício enviado para aterros sanitários e a utilização de água”); Segurança dos recursos hídricos (“é fundamental agir hoje e definir objetivos para ajudar a melhorar o acesso a água, a sua disponibilidade e qualidade”); Proteção das Florestas (“a GSK integra a Coligação LEAF – uma iniciativa público-privada projetada para parar e reverter a destruição das florestas”).

          Destaque também para a Adaptabilidade dos sistemas de saúde (“parceria com a associação Save the Children, em projetos de imunização de crianças na Etiópia para ajudar a reduzir as elevadas taxas de mortalidade infantil nesta região”); Impacto das doenças provocadas pelas alterações climáticas (“investir, nos próximos dez anos, mais de mil milhões de euros para acelerar a I&D na área das doenças infecciosas de elevado impacto”); Bem-estar das populações (“contribuir para a proteção ambiental dos locais onde opera de forma a impactar positivamente a natureza e a saúde humana”).

          *In Netfarma

            29/08/2022

            INFLAÇÃO ESTÁ A TER REPERCUSSÕES NO AUMENTO DA DÍVIDA DO SNS A FORNECEDORES

            Presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares nota que há vários "fatores importantes" a contribuir para a dívida que é a mais alta em oito anos, nomeadamente a inflação.

            A dívida das entidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) a fornecedores externos atingiu em junho o valor mais alto dos últimos oito anos. De acordo com o jornal Público, que cita dados do Portal do SNS, a dívida total ascendia, nesse mês, a 2,3 mil milhões de euros.

            Os valores em dívida dividem-se entre os pagamentos que ainda estão a decorrer e aqueles cujos prazos já foram ultrapassados. Neste caso em específico, esta última parcela representa mais de metade do valor em dívida, mais precisamente 59,4%.

            Ao Público, Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), justifica que há vários “fatores importantes” a contribuir para esta dívida, desde logo a maior atividade assistencial, necessária para “recuperar a atividade que foi protelada durante a pandemia”.

            Mais do que isso, também a subida dos preços de produção está a pesar no aumento da dívida. A subida do preço dos combustíveis, aponta, “começa a refletir um aumento de gastos importante e não esperado no orçamento de 2022”, o preço da eletricidade “triplicou desde o ano passado” e nota-se um “aumento de preços significativos em praticamente todos os materiais e consumíveis hospitalares” provocado por problemas nas cadeias logísticas, com escassez de matérias-primas.

            Segundo o responsável, também o efeito da inflação, “que não foi acompanhado por variação nos preços dos contratos-programa, e que não estava previsto aquando da elaboração do Orçamento do Estado (OE) de 2022”, é espelhado na dívida.

            A Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) assegura que os valores em causa “não integram o impacto das receitas previstas” no Orçamento do Estado, que foi aprovado mais tarde do que é habitual devido à queda do Governo e antecipação das eleições.

            “Com a aplicação do OE 2022, em julho foram atualizados em cerca de 292,8 milhões de euros os montantes transferidos para as entidades do SNS, prevendo-se que este reforço financeiro se reflita na diminuição da dívida total a Julho”, realçou a entidade ao mesmo jornal.

            *In Observador

              22/08/2022

              MEDICAMENTOS SUJEITOS A RECEITA MÉDICA PARA COMBATER A OBESIDADE ESTÃO A SER CADA VEZ MAIS VENDIDOS

              Enquanto os medicamentos sujeitos a receita médica estão a ser cada vez mais vendidos, os medicamentos de venda livre e os suplementos alimentares estão a registar uma diminuição de vendas.

              A venda de medicamentos sujeitos a receita médica para combater a obesidade aumentou em 26% no ano de 2021 em relação ao ano anterior, de acordo com dados da empresa de estudos de mercado HMR divulgados este domingo pelo Jornal de Notícias.

              De acordo com aquele jornal, enquanto os medicamentos sujeitos a receita médica estão a ser cada vez mais vendidos, os medicamentos de venda livre e os suplementos alimentares estão a registar uma diminuição de vendas, o que indica, diz o JN, que os doentes estão a recorrer cada vez mais ao acompanhamento médico no tratamento da obesidade.

              A venda de medicamentos e suplementos para perder peso representa atualmente um mercado no valor de 19,3 milhões de euros, mas a maior fatia deste mercado ainda é ocupada pelos medicamentos de venda livre e suplementos (um valor de 14,6 milhões no ano passado).

              Já o setor dos medicamentos com receita médica representa já um mercado no valor de 4,8 milhões de euros. No ano passado foram vendidas em Portugal cerca de 49 mil embalagens, mais dez mil do que ano ano anterior.

              Médicos ouvidos pelo JN saúdam esta tendência de inversão do mercado, uma vez que a obesidade exige um acompanhamento médico — e que os suplementos tendem a ser excessivamente caros sem que tenham um benefício clínico comprovado.

              *In Observador

                15/08/2022

                INOVAÇÃO TECNOLÓGICA CONTRIBUI PARA GANHOS EM SAÚDE

                A inovação tecnológica tem de ser vista não como um custo, mas como um investimento, pois contribui ativamente para ganhos em Saúde, de longevidade, de qualidade de vida, e para o bem-estar da população. No entanto, é preciso garantir que chega aos doentes com rapidez e que a investigação nacional é incentivada e valorizada.

                Fruto da pressão da pandemia sobre os sistemas de saúde em todo o mundo - e na Europa em particular - o novo regulamento europeu, publicado no final de 2021, reconhece que o desenvolvimento das tecnologias em Saúde é um motor fundamental de crescimento económico e de inovação, sendo essencial para alcançar um elevado nível de proteção da saúde.

                "As tecnologias, se bem utilizadas, trazem grandes ganhos em saúde", disse ao DN José Aranda da Silva. O farmacêutico militar e membro do conselho-geral da Fundação para a Saúde - SNS recorda, por exemplo, ganhos como a esperança média de vida, os antibióticos ou as vacinas, muito impactados pelas tecnologias.

                Mas falar de tecnologias da saúde vai muito além das mais visíveis, como as aplicações informáticas ou os equipamentos robóticos e ultra tecnológicos. Dispositivos médicos, aparelhos de diagnóstico, mas também medicamentos, resultam de prolongada investigação e de processos inovadores que garantem ganhos no diagnóstico e no tratamento dos doentes, e são inovações que é preciso saber integrar no sistema de saúde.

                “Se não forem feitas alterações a nível da entidade reguladora, o Infarmed, arriscamo-nos a perder o comboio que apanhámos há 30 anos, do prestígio.”

                Por um lado, defende Inês Teixeira, economista no Centro de Estudos da Avaliação em Saúde da ANF, e coautora da tese Inovação tecnológica e processos de mudança, desenvolvida no âmbito do projeto Transformar o SNS, a que o Diário de Notícias se associou, é fundamental identificar e avaliar as escolhas ao nível da tecnologia e da inovação; e, por outro, tal deve ser feito de forma clara e transparente. "Esta evidência deve ajudar a construir as políticas e a tomada de decisão para introdução desta inovação, sejam medicamentos, dispositivos médicos ou até a questão da intervenção em saúde", diz.

                O processo de aprovação e de acesso a estas inovações terapêuticas é, contudo, ainda muito demorado. Em Portugal, a responsabilidade a este nível cabe ao Infarmed, que continua a ter períodos de aprovação muito superiores aos de outros países europeus. "Achamos que se em Portugal não forem feitas alterações a nível da nossa entidade a que chamamos reguladora, o Infarmed, arriscamo-nos a perder o comboio que apanhámos há 30 anos, o comboio prestigiante", reforça José Aranda da Silva.

                Para o representante da Fundação para a Saúde SNS, mesmo internacionalmente, o Infarmed é considerado uma das entidades reguladoras que mais intervém no processo europeu do ponto de vista científico. Portanto, "é necessário, mas não foi alterado o seu estatuto ou a sua organização, e é preciso fazê-lo, senão perdemos esse comboio".

                Investigação Made in SNS

                A prestação de cuidados é a face mais visível do SNS mas, para José Aranda da Silva, a investigação tem de fazer parte da estrutura do sistema de saúde nacional. Numa altura em que tanto se fala na capacidade de atração e de retenção de recursos para o SNS, o desenvolvimento da investigação dentro do sistema seria, na opinião do ex-farmacêutico militar, um fator de motivação, mas também "um processo de aprendizagem dos profissionais, e uma forma de ter acesso às tecnologias o mais cedo possível, com a vantagem inequívoca para os doentes, do setor público e do privado, de ter acesso a tecnologias na fase de investigação".

                Para tal é, no entanto, necessário criar estruturas organizadas, quer nos hospitais como ao nível dos cuidados primários, vocacionadas para coordenar a investigação. "Temos bons exemplos em Portugal, como o Hospital de Santa Maria, o IPO do Porto, ou o Hospital de São João", reforça José Aranda da Silva que, ainda assim, reconhece que ainda há um longo caminho a percorrer em Portugal.

                *In Diário de Notícias

                  08/08/2022

                  INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL UTILIZADA PARA O DESENVOLVIMENTO DE MEDICAMENTOS PERSONALIZADOS

                  A iLoF anuncia uma nova ronda de US $5 milhões em financiamento para apoiar a sua visão de democratizar o acesso à medicina personalizada para milhões de pessoas que vivem com doenças complexas. Atualmente, a plataforma inteligente da iLoF está a angariar grandes quantidades de dados para construir uma biblioteca de perfis biológicos, reunindo físicos, biólogos e cientistas de dados de classe mundial na busca de uma nova forma de desenvolver tratamentos personalizados e identificar perfis biológicos que possam salvar vidas a pacientes em todo mundo.

                  A nova ronda de financiamento foi liderada pela portuguesa Faber, contando com a participação dos fundos norte-americanos M12, o fundo de capital de risco da Microsoft, e Quiet Capital, e dos fundos europeus Lunar Ventures, Alter Venture Partners, re.Mind Capital e Fluxunit, o fundo de capital de risco da ams OSRAM. O angel investor Charlie Songhurst, ex-director geral da Microsoft, e a Berggruen Holdings, o family officer de Nicolas Berggruen, investidor e filantropo, também participaram na ronda.

                  Este financiamento será usado para acelerar compromissos atuais com algumas das principais empresas globais no espaço Farmacêutico, Biotecnológico e Clínico, tendo como objetivo acelerar pilotos correntes e futuros e agilizar o desenvolvimento da plataforma. No total, a empresa arrecadou mais de US $8 milhões em financiamento até o momento.

                  Até 2023, a equipa contratará mais de 20 pessoas, em perfis de física, ciência de dados, biologia e gestão de produto.

                  Luis Valente, cofundador e CEO da iLoF: “Durante anos, os tratamentos foram desenvolvidos com a suposição de que funcionam para todos. No entanto, cada pessoa é diferente e, para muitas doenças graves, como Alzheimer, vários fatores podem contribuir para a eficácia de um tratamento em um determinado paciente. Isto significa que milhões de pacientes vivem atualmente sem acesso a um tratamento eficaz e modificador da doença - o que instigou a missão por detrás da iLoF. Capturamos grandes quantidades de dados para criar cópias digitais de perfis biológicos e subtipos de doenças, que armazenamos na nossa biblioteca digital. Diferentes perfis de pacientes poderão assim ser selecionados e rastreados pela plataforma, acelerando o desenvolvimento de tratamentos eficazes e personalizados, e permitindo ensaios clínicos mais humanos e centrados no paciente.”

                  Luís Valente continua: “A visão de longo-prazo é crescer a nossa biblioteca digital de biomarcadores e colocá-la ao serviço dos pacientes, através de uma plataforma inovadora de triagem de doenças. Para além de apoiar investigadores e cientistas, colocar esta ferramenta ao serviço de pacientes em todo o mundo, aprofundando a nossa compreensão das doenças e ajudando os clínicos a detetar algumas das doenças mais graves e mortais do mundo, como cancro do ovário, ou a doença de Alzheimer”.

                  A plataforma da iLoF faz uso de uma ampla gama de sinais óticos, criando assim assinaturas ricas do conjunto de partículas em amostras biológicas, que são depois convertidas em réplicas biodigitais. Estas réplicas superam largamente os limites tradicionais da análise bioquímica, pelo facto de poderem ser reanalisadas ​​um número potencialmente infinito de vezes. Com isto, é possível acelerar exponencialmente a busca por novos padrões moleculares e clínicos, o que pode ser a chave para o desenvolvimento de novas terapêuticas eficazes, ou para um diagnóstico mais preciso de pacientes.

                  Durante a pandemia, a iLoF colaborou com o Hospital de São João e a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto para perceber como a plataforma pode ajudar a gerir o fluxo de doentes COVID-19 e assim otimizar recursos críticos. Nesse âmbito, a empresa demonstrou ser capaz de distinguir com precisão os pacientes com maior probabilidade de admissão nos Cuidados Intensivos, o que pode permitir aos hospitais uma gestão radicalmente mais eficiente dos seus recursos.

                  Sobre o investimento na iLoF, Sofia Santos, Partner da Faber, comentou:

                  "A iLoF tem o poder de impactar positivamente milhões de pacientes em todo o mundo e  tornar-se uma peça fundamental no mercado da medicina personalizada, avaliado em US $500 mil milhões (2021). A solução que combina fotónica e inteligência artificial pode transformar o diagnóstico e a triagem de múltiplas doenças complexas, ao mover progressivamente os cuidados de saúde de uma abordagem centralizada em hospital para uma abordagem focada no paciente e a um custo muito inferior. “

                  A iLoF é liderada pelo CEO Luis Valente, empreendedor nomeado Forbes 30 under 30 for Science and Healthcare; COO Mehak Mumtaz, Bioquímica de Oxford Ph.D. e especialista em medicina personalizada; e CSO Paula Sampaio, cientista sénior e coordenadora da Plataforma Portuguesa de Bioimagem.

                  Inicialmente formada durante a participação no programa Wild Card da EIT Health e acelerada na Oxford Foundry, a equipa iLoF é composta por 20 cientistas, empreendedores e investigadores internacionais.

                  *In Atlas da Saúde

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