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Tesera circular

06/04/2026

SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE RECEBE VERBA EXTRA PARA PAGAR FORNECEDORES

É mais um ‘balão de oxigénio’ para o Serviço Nacional de Saúde (SNS): 1230 milhões de euros vão chegar aos hospitais e centros de saúde para pagar a fornecedores. A verba está definida num despacho conjunto dos ministérios das Finanças e da Saúde a publicar.

O reforço, ainda sem data concreta para acontecer, sucede ao do ano passado, num total de 1299 milhões de euros. Em comunicado, o gabinete da ministra da Saúde explica que o “Governo faz novo reforço de verbas” para “garantir a sustentabilidade financeira do SNS” e o despacho conjunto “será publicado em breve”.

A verba vai permitir a “redução dos prazos de pagamentos a fornecedores externos” e a “regularização de dívida das entidades prestadoras de cuidados de saúde a fornecedores externos”.

Segundo a nota, esta “medida representa mais um esforço do atual Governo para garantir a prestação de cuidados de saúde de qualidade e acessíveis a todos os cidadãos, enquanto assegura condições para cumprir os compromissos financeiros devidos pelo fornecimento de bens e serviços necessários ao bom funcionamento do SNS”.

O valor a entregar a cada unidade do SNS será concretizado pela Administração Central do Sistema de Saúde, que “está a desenvolver os procedimentos necessários à transferência das verbas definidas para cada entidade”.

As indicações são para a liquidação de dívida com mais de 60 dias e pagas por ordem de antiguidade da data de vencimento.

    30/03/2026

    SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE COM NÚMERO REDUZIDO DE ESPECIALISTAS EM ANÁLISES CLÍNICAS

    O Sindicato Nacional dos Farmacêuticos (SNF) alertou esta quarta-feira que o SNS dispõe apenas de um terço desses profissionais especialistas em análises clínicas do que tinha há 20 anos, alegando que as vagas disponíveis são utilizadas para contratar médicos.

    “Nos últimos 20 anos, os farmacêuticos de análises clínicas ficaram reduzidos a um terço do que eram”, constatou o SNF num documento a que a agência Lusa teve acesso, que salienta que, à medida que os farmacêuticos especialistas se vão reformando, as unidades locais de saúde (ULS) substituem essas vagas por lugares para médicos.

     “Nós estamos a ser extintos nas análises clínicas. Já somos poucos e vamos ser cada vez menos”, realçou o sindicato, para quem a situação é preocupante, tendo em conta que 70% a 80% das decisões clínicas assentam em exames laboratoriais, que são uma “peça central” da medicina moderna, “embora muitas vezes invisível”.

    Segundo o SNF, a falta de concursos públicos, associada a “condições remuneratórias desajustadas” do grau de diferenciação profissional e as limitações funcionais, têm contribuído para esta redução progressiva do número de farmacêuticos especialistas em análises clínicas no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

    As decisões de contratação na área laboratorial “tendem a privilegiar o reforço do quadro médico e a dispensar farmacêuticos, não por insuficiência técnica, mas porque a arquitetura de poder condiciona as opções de contratação e protege equilíbrios corporativos instalados”, lamentou a estrutura sindical.

    O SNF referiu também que, nos serviços laboratoriais do SNS, os cargos de direção e os centros de decisão “permanecem fortemente concentrados na profissão médica”, uma “centralização de poder institucional” que o sindicato alega que tem tido consequências práticas.

    “Em vários contextos, os farmacêuticos são impedidos de exercer plenamente funções para as quais são preparados e possuem competência reconhecida”, adiantou a estrutura sindical, apontando exemplos da exclusão de escalas de urgência e da proibição de realizar exames diferenciados, de elaborar ou assinar relatórios, entre outros.

    Na prática, o SNF considerou que a competência dos farmacêuticos é utilizada “quando ela é conveniente, mas a mesma é negada quando implica partilha de poder, reconhecimento profissional ou reposicionamento hierárquico”.

      23/03/2026

      EMPRESAS DO SETOR DA SAÚDE ALVO DE ATAQUE INFORMÁTICO

      O grupo de piratas informáticos Handala Hack, associado pelo setor de cibersegurança ao regime de Teerão, reivindicou a autoria de uma ofensiva digital contra duas grandes corporações norte-americanas: a tecnológica médica Stryker e a rede de pagamentos Verifone. O ataque é apresentado pelo coletivo como uma resposta direta ao bombardeamento de uma escola em Minab e à escalada militar que resultou na morte do líder supremo do Irão, o aiatola Ali Khamenei.

      A Stryker, uma das maiores fornecedoras mundiais de equipamento médico, confirmou em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários norte-americana (SEC) ter sido alvo de um "incidente de cibersegurança". Segundo a empresa, a ação causou uma "interrupção global" nas aplicações da Microsoft utilizadas internamente, afetando o fluxo de trabalho em diversas geografias.

      Embora a administração da Stryker assegure que o incidente está "contido", admitiu que ainda não existe um calendário para a reposição total das funções.

      O Handala Hack justificou o alvo citando os "laços estreitos" da empresa com Israel, exacerbados pela aquisição de uma firma israelita em 2019.

      Especialistas alertam que o grupo utiliza frequentemente a "guerra de informação" para amplificar a perceção de caos, mesmo em casos de ataques inconsequentes.

      O Handala Hack posiciona as suas ações como retaliação pelo bombardeamento da escola de meninas de Minab, no sul do Irão, a 28 de fevereiro, que segundo números oficiais vitimou mais de 150 pessoas.

      Apesar de o Presidente Donald Trump ter negado repetidamente a responsabilidade norte-americana, uma investigação militar interna divulgada pelo The New York Times sugere que o massacre foi resultado de um erro de coordenação das forças dos EUA, que visavam uma base iraniana adjacente.

      O coletivo Handala Hack, cujo nome homenageia uma figura simbólica da resistência palestiniana, tem-se destacado pelo uso de métodos híbridos: Já realizou furto de dados, expondo informações confidenciais de entidades com ligações a Israel, ações de ransomware, com o bloqueio de sistemas críticos para extorsão ou sabotagem política, bem como de desfiguração de sites oficiais para propagação de mensagens políticas.

      O campo de batalha digital consolida-se assim como a "quarta frente" deste conflito, visando atingir o coração económico e logístico das potências ocidentais.

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