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O grupo de piratas informáticos Handala Hack, associado pelo setor de cibersegurança ao regime de Teerão, reivindicou a autoria de uma ofensiva digital contra duas grandes corporações norte-americanas: a tecnológica médica Stryker e a rede de pagamentos Verifone. O ataque é apresentado pelo coletivo como uma resposta direta ao bombardeamento de uma escola em Minab e à escalada militar que resultou na morte do líder supremo do Irão, o aiatola Ali Khamenei.
A Stryker, uma das maiores fornecedoras mundiais de equipamento médico, confirmou em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários norte-americana (SEC) ter sido alvo de um «incidente de cibersegurança». Segundo a empresa, a ação causou uma «interrupção global» nas aplicações da Microsoft utilizadas internamente, afetando o fluxo de trabalho em diversas geografias.
Embora a administração da Stryker assegure que o incidente está «contido», admitiu que ainda não existe um calendário para a reposição total das funções.
O Handala Hack justificou o alvo citando os «laços estreitos» da empresa com Israel, exacerbados pela aquisição de uma firma israelita em 2019.
Especialistas alertam que o grupo utiliza frequentemente a «guerra de informação» para amplificar a perceção de caos, mesmo em casos de ataques inconsequentes.
O Handala Hack posiciona as suas ações como retaliação pelo bombardeamento da escola de meninas de Minab, no sul do Irão, a 28 de fevereiro, que segundo números oficiais vitimou mais de 150 pessoas.
Apesar de o Presidente Donald Trump ter negado repetidamente a responsabilidade norte-americana, uma investigação militar interna divulgada pelo The New York Times sugere que o massacre foi resultado de um erro de coordenação das forças dos EUA, que visavam uma base iraniana adjacente.
O coletivo Handala Hack, cujo nome homenageia uma figura simbólica da resistência palestiniana, tem-se destacado pelo uso de métodos híbridos: Já realizou furto de dados, expondo informações confidenciais de entidades com ligações a Israel, ações de ransomware, com o bloqueio de sistemas críticos para extorsão ou sabotagem política, bem como de desfiguração de sites oficiais para propagação de mensagens políticas.
O campo de batalha digital consolida-se assim como a «quarta frente» deste conflito, visando atingir o coração económico e logístico das potências ocidentais.